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Sábado, Agosto 27, 2005

Diferenças

Para entender as diferentes vertentes do Metal e do Rock, vamos imaginar uma situação e seus respectivos desfechos na abordagem de cada estilo.

"No alto do castelo, há uma linda princesa - muito carente - que foi ali trancada, e é guardada por um grande e terrível dragão..."

METAL MELÓDICO:
O protagonista chega no castelo num cavalo alado branco, escapa do dragão,salva a princesa, fogem para longe e fazem amor.

TRUE METAL:
O protagonista chega no castelo e vence o dragão em uma batalha justa usando uma espada. Banhado no sangue do dragão, transa com a princesa.

THRASH METAL:
O protagonista chega no castelo, duela com o dragão,salva a princesa e transa com ela.

HEAVY METAL:
O protagonista chega no castelo numa Harley-Davidson, mata o dragão, enche a cara de cerveja com a princesa e depois transa com ela.

FOLK METAL:
O protagonista chega acompanhado de vários amigos e duendes tocando acordeon, alaúde, viola e outros instrumentos estranhos. Fazem o dragão dormir depois de tanto dançar, e vão embora, sem a princesa, pois a floresta está cheia de ninfas.

VIKING METAL:
O protagonista chega em um navio, mata o dragão com um machado, assa e come. Estupra a princesa, pilha o castelo e toca fogo em tudo antes de ir embora.

DEATH METAL:
O protagonista chega, mata o dragão, transa com a princesa, mata a princesa e vai embora.

BLACK METAL:
Chega de madrugada, dentro da neblina. Mata o dragão e empala em frente ao castelo. Sodomiza a princesa, a corta com uma faca e bebe o seu sangue em um ritual até matá-la. Depois descobre que ela não era mais virgem e a empala junto com o dragão.

GORE:
Chega, mata o dragão. Sobe no castelo, transa com a princesa e a mata. Depois transa com ela de novo. Queima o corpo da princesa e transa com ele de novo.

SPLATTER:
Chega, mata o dragão, abre-o com um bisturi. Sodomiza a princesa com as tripas do dragão. Abre buracos nela com o bisturi e estupra cada um dos buracos. Tira os globos oculares da princesa e estupra as órbitas. Depois mata a princesa, faz uma autópsia, tira fotos, e lança um álbum cuja capa é uma das fotos.

DOOM METAL:
Chega no castelo, olha o tamanho do dragão, fica deprimido e se mata. O dragão come o cadáver do protagonista e depois come a princesa.

WHITE METAL:
Chega no castelo, exorciza o dragão, converte a princesa e usa o castelo para sediar mais uma "Igreja Universal do Reino de Deus".

NEW METAL:
Chega no castelo se achando o bonzão e dizendo o quanto é bom de briga. Acha que é capaz de vencer o dragão; perde feio e leva o maior cacete. Foge e encontra a princesa. Conta para ela sobre a sua infância triste. A princesa dá um soco na cara dele e vai procurar o protagonista Heavy Metal. O protagonista New Metal toma um prozak e vai gravar um disco "The Best Of".

ROCK N'ROLL CLÁSSICO:
Chega de moto fumando um baseado e oferece para o dragão, que logo fica seu amigo. Depois acampa com a princesa numa parte mais afastada do jardim e depois de muito sexo, drogas e rock'n roll, tem uma overdose de LSD e morre sufocado no próprio vômito.

PUNK ROCK:
Joga uma pedra no dragão e depois foge. Pixa o muro do castelo com um "A" de anarquia. Faz um moicano na princesa e depois abre uma barraquinha de fanzines no saguão do castelo.

GRUNGE:
Chega no castelo e tem uma overdose de heroína.

PROGRESSIVO:
Chega, toca um solo virtuoso de guitarra de 26 minutos. O dragão se mata de tanto tédio. Chega até a princesa e toca outro solo que explora todas as técnicas de atonalismo em compassos ternários compostos aprendidas no último ano de conservatório. A princesa foge e vai procurar o protagonista Heavy Metal.

HARD ROCK:
Chega em um conversível vermelho, com duas loiras peitudas e tomando Jack Daniel's. Mata o dragão com uma faca e faz uma orgia com a princesa e as loiras.

GLAM ROCK:
Chega no castelo. O dragão rí tanto quando o vê que o deixa passar. Ele entra no castelo, rouba o hair dresser e o batom da princesa. Depois a convence a pintar o castelo de rosa e a fazer luzes nos cabelos.

(Retirado do blog Rapadura Açucarada)
Publicado por Morpheus® em 22:13 Comente aqui: .

Discos que todo mundo deveria ouvir:

Tracy Chapman (1988)



Quem não se lembra de Tracy Chapman, a cantora negra que conquistou o mundo com sua voz grossa e marcante ao som de Baby Can I Hold You e Fast Car? Pois é, estava ouvindo seu primeiro CD (justamente o mesmo desses seus maiores sucessos) e é incrível como ele não ficou datado com o passar dos anos. Apesar de ter caido no ostracismo com o passar dos anos (mas ela ainda continua a lançar seus CDs), seu disco de estréia é, na minha opinião, um dos melhores já feitos em muito tempo, e surpreende quem conhece Chapman apenas por Baby Can I Hold You. As letras são tristes, confecionais e romãnticas, a voz de Tracy nos envolve do início ao fim, e as onze faixas passam muito rápido, deixando aquela deliciosa sensação de vazio ao final. A forte personalidade de Chapman já fica bem clara na letra de Behind the Wal (que versa sobre a violência doméstica contra a mulher), e outro aspecto de sua inspiração artística pode ser ouvido na faixa de abertura do disco, Talkin' Bout a Revolution e em Across the Lines. Tracy também nos dá um grande mostra de interpretação e sensibilidade em Why. E tente não ficar hipnotizado ao som das românticas If Not Now e For you, algumas das melhores do disco.
Pra se ouvir a dois, ou mesmo sozinho, no escuro do seu quarto.

Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)


Muito antes de acrescentar um Jor ao seu nome (devido a um processo movido pela gravadora do cantor americano George Benson), Jorge Ben gravou um dos melhores e mais marcantes discos da história da MPB. A Tábua de Esmeralda contém todo o suingue e genialidade que tornaram Jorge Ben um dos referenciais da musica brasileira. O que mais chama a atenção nesse disco é sua simplicidade e a criatividade das musicas, deixando claro que Jorge Ben era um dos melhores compositores e letristas daquela época. Os instrumentos usados, principalmente as batidas secas do violão, ficam na mente de quem ouve durante um bom tempo, e o Jorge Ben "cantor" estava mais em forma do que nunca. O próprio Jorge Benjor admite ser esse o seu disco preferido, talvez porque ele nunca mais tenha gravado nada que tenha chegado à altura dele.
Iniciando seu "Salve" com a música Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas (alquimia parece ser a palavra de ordem do dia), passando pelas românticas Menina Mulher da Pele Preta, Magnólia e Minha Teimosa, Uma Arma Pra Te Conquistar, Jorge Ben demonstra sua força na letra da música Zumbi, para logo em seguida flertar pelo Soul em Brother, terminando de maneira apoteótica com as musicas Hermes Tri e Cinco Minutos.
É o típico disco digno de ser ouvido do início ao fim, de preferencia sem interrupções. Atemporal.
Publicado por Morpheus® em 22:09 Comente aqui: .

Bora animar um pouco isso aqui...

...por isso colocarei meu review de dois animes que tem feito muito sucesso atualmente: Naruto e Full Metal Alchemist:

Naruto



A mais nova sensação do Japão se chama Naruto, mais uma dessas séries Dragon Ball like, com lutas intermináveis, e overpowers infinitos. Mas que, pelo menos nas primeiras temporadas, empolga um pouco.
Naruto é um garoto que vive numa comunidade ninja dentro do País das Folhas. No passado, esse povoado enfrentou a ameaça da demoníaca Raposa de 7 Caudas que, devido ao esforço dos moradores locais, foi derrotada e trancafiada dentro do corpo de um recém nascido - no caso, Naruto. Quando cresce, as pessoas o evitam e desprezam, pois sabem sobre o mal que se enconde dentro dele. Ainda assim, ele luta para se tornar um Hokage (que é algo tipo Supremo Mestre Ninja do País das Folhas) Ele passa a ser treinado por Hatake Kakashi, um mestre ninja de nível elevado possuidor da técnica mortal secreta Sharingan. Junto com ele, mais dois jovens ninjas são treinados: Sasuke, o maior rival de Naruto, bastante aplicado e muito habilidoso, mas de personalidade bastante fechada; e Sakura, uma garota bastante inteligente, com um temperamento dúbio que vive repelindo Naruto mas que morre de amores por Sasuke, sem ser correspondida. Juntos, eles farão parte de várias missões, se graduando cada vez mais para se tornarem Mestres Ninja, se deparando com diversos inimigos poderosos, como o forte Zabuza e o imprevisível Haku.
A qualidade de animação é padrão desse tipo de anime. A história também não é nada que já não tenha sido visto em Dragon Ball, com a diferença de que em Naruto, cada personagem realmente vai se aperfeiçoando com o passar do tempo, e isso é notório com o passar do tempo, seja na forma como eles se relacionam entre si, seja na aparência, seja no tipo de batalhas que eles enfrentam, enfim, acabam evoluindo aos poucos, sem perderem suas características mais básicas. Em Dragon Ball, convenhamos, Goku já era invencível desde o primeiro episódio, só tendo algum desafio de fato a partir da chegada de Raditz, na fase Z.
É o tipo de anime pra quem gosta de pancadaria sem muito cérebro....técnicas secretas são reveladas a todo momento, recuperações milagrosas Saint Seya like são comuns, e por ai vai. Mas diverte o suficiente para não irritar muito. Eu, pelo menos, achei muito melhor que Dragon Ball Z e GT. Receio apenas pelo monte de cortes que a versão nacional terá, com certeza.

Full Metal Alchemist


Eu imaginava que esse anime tivesse algo a ver com Full Metal Panic, uma série de Mechas misturado com comédia romântica, mas me enganei completamente. Na verdade, Full Metal Alchemist é bem diferente e muito mais viciante.
Segundo a Enciclopédia Barsa, a Alquimia é uma ciência da Idade Média (conhecida como "a arte") que possuía como objetivo a fabricação sintética de ouro e a vida eterna (pedra filosofal). Algumas vezes confundida com ocultismo, magia, bruxaria, feitiçaria ou simples charlatanismo, a Alquimia começou a ser praticada por grandes homens como Roger Bacon, S. Alberto Magno, o papa Clemente V, o imperador Rodolfo II, Paracelso. O princípio fundamental da Alquimia é a transmutação.
Os irmãos Edward e Alphonse Elric são filhos de um famoso alquimista, e querem seguir os passos do pai, dominando todas as técnicas alquimísticas. Quando sua mãe morre repentinamente, apenas um objetivo se fixa em suas mentes: trazer-la de volta por meio da alquimia humana. Porém, algo sai errado, e no processo Edward perde parte de sua perna e Alphonse perde seu corpo inteiro. Edward consegue recuperar a alma do seu irmão, vinculando-a a uma armadura próxima, mas com isso ele perde seu braço direito também. Ao saber da história dos dois jovens que sobreviveram à terrível experiencia da alquimia humana, o Tenente Coronel Roy Mustang convida Edward para se tornar um Alquimista Certificado Nacionalmente, mesmo Edward tendo apenas 13 anos. Ao conquistar esse objetivo, Edward e Alphonse partem pelo mundo em busca da Pedra Filosofal, um artefato capaz de criar coisas do nada, e que ambos acreditam ser capaz de trazer seus corpos normais de volta.
Longe de ser mais um anime com personagens bonitinhos, o mais notório em Full Metal Alchemist é a obstinação dos personagens. Edward tem em mente a idéia fixa de que somente dando o melhor de si ele será capaz de trazer o corpo do seu irmão de volta. E Alphonse tem plena confiança em seu irmão, encorajando-o constantemente. Essa união entre irmãos é uma das coisa mais marcantes do anime, fora os momentos de ação que são realmente empolgantes, e momentos dramáticos tocantes. A história é contada de modo não-lienar, já nos primeiros episodios mostrando Edward e Alphonse em sua busca pela Pedra Filosofal, para nos episódios seguintes mostrar como eles chegaram até ali. A trilha sonora é uma das melhores que já ouvi,com direito a abertura ao som da banda L'arc~en~Ciel (Ready, Steady, Go), uma das melhores bandas de Rock japonesas da atualidade, e encerramento ao som da bela Kesenai Tsumi, cantada por Nana Kitade.
Uma animação de primeira, história sensacional e uma trilha sonora eletrizante, fazem de Full Metal Alchemist digno da legião de fãs que carregam pelo mundo afora.
Publicado por Morpheus® em 22:07 Comente aqui: .

Domingo, Agosto 21, 2005

Luto

Acho que nunca pensei na vida como algo tão passageiro como tenho pensado nos ultimos dias. Os anos passam tão rápido, e nossa abençoada memória faz com que eventos passados pareçam ter acontecido há pouco tempo. O que pode ser uma coisa boa ou ruim, dependendo do caso.
Durante o colegial eu fiz uma turma pequena, mas fiel, de amigos. Coisa de adolescente, com sonhos e esperanças, enquanto o mundo avançava aos poucos, nos engolindo, sem que a gente desse a menor bola para isso. Por causa deles acabei me tornando fã de Rock. Por causa deles, parei de ver o mundo da maneira simplista mostrada pela TV. Nos calcavamos na realidade, viamos o mundo se transformar ao nosso redor, discutiamos objetivos, opinávamos sobre mudanças. Iamos formar uma banda (e somente um de nós alcançou esse objetivo), escrever livros, fazer faculdade, nos tornarmos alguém na vida, enfim.
O mundo se fez presente novamente. O tempo passou e a gente se separou. Meus contatos com eles se tornaram cada vez mais raros.
Mas tinha o Silvio.
O Silvio morava próximo aqui de casa. Enquanto estudávamos juntos, eu e meus amigos (éramos 5 ao todo) iamos muito à casa dele. Sempre éramos muito bem recebidos por sua família, ouviamos discos, fitas, jogávamos dominó, baralho, videogame, conversávamos muito. Coisas tão normais e corriqueiras, mas que pensando agora, eram muito boas.
Mas cada um seguiu seu caminho. Um se casou e foi morar em outro bairro. Outro mudou de município e trabalha num hospital. O terceiro se mudou para o Japão com a família. Eu me tornei policial. Quando vou na Galeria do Rock, no centro de São Paulo, ainda me encontro vez ou outra com meu colega que conseguiu formar sua banda (meu único elo atual de ligação com os outros).
Contato pessoal mesmo eu só tinha mesmo com o Silvio. Ainda ia vez ou outra na casa dele, mas o desemprego (decorrente principalmente de uma série de decisões erradas que ele tomou, além de sua cabeça dura) o fez entrar num estado de depressão profunda. E, para quem não sabe, essa é uma das piores doenças que existem, pois destrói totalmente seu espírito. Quando comprei meu primeiro micro, ele vinha algumas vezes aqui em casa para usa-lo um pouco, mas conversar com ele era complicado, pois algumas coisas que ele falava não faziam muito sentido, e por vezes ele demorava a completar frases ou mesmo seguir uma determinada linha de pensamento. Ficou doente, quase morreu, mas começou a tomar medicamentos antidepressivos, o que fez com que ele melhorasse um pouco. Mas desde que começou a ficar doente, ele se tornou uma pessoa muito negativa, e nas ultimas vezes em que fui falar com ele em sua casa, eu acabava saindo me sentindo mal. Isso fez com que minhas visitas à sua residência fossem cada vez mais raras, até que parei de ir lá, me encontrando vez ou outra com ele e seus parentes de passagem, na rua mesmo. Na ultima vez que conversei com ele, há quase um ano, ele estava meio ressentido comigo por causa disso, e eu simplesmente não tinha argumentos para me defender, pois sabia que ele tinha uma certa razão, mas eu simplesmente não sabia como deveria agir, e me assustava a idéia de ver ele doente numa cama. Não era essa a maneira como eu queria ve-lo. Um sentimento egoista, acho, mas sou apenas humano.
Anos antes eu ainda o ajudei a conseguir um emprego nas frentes de trabalho da Prefeitura de São Paulo, o que deu um certo alento a ele, pena que os contratos eram de apenas seis meses. Depois disso, conversei com sua irmã para que se possível entrasse em contato comigo para que pudessemos conseguir ao menos uma aposentadoria a ele, por causa de sua doença. Não chegaram a fazer o contato, mas pelo que sei, conseguiram por outros meios a aposentadoria. Entretanto, o Silvio se tornou totalmente recluso, não saia de casa para nada, e comia pouco.
Quando estávamos no colegial, ele pediu demissão de uma fábrica em que ele trabalhava (o que praticamente foi o início de seu declínio), e começaram a nascer nele idéias de suicídio. Ele confidenciou isso a mim, e apesar de não querer trair sua confiança, não pude deixar de contar isso aos nossos colegas. Fomos a um show de Rock de algumas bandas independentes e conversamos muito com ele, de modo a tirar essas idéias de sua cabeça. Alegro-me em pensar que na época, apesar dele ter ficado meio contrariado comigo, a coisa funcionou bem. Porém, a depressão faz com que tais idéias sejam cada vez mais presentes. Nem mesmo ir à igrejas o ajudou muito, como eu disse, ele era bem cabeça dura. Há alguns meses, ele parou de tomar os medicamentos. E em abril, ele se matou.
E eu não fiquei sequer sabendo disso. Seus pais também tem a saúde muito frágil, e acabaram piorando depois disso, quase logo em seguida. Somente quinta feira passada, ao encontrar com o cunhado dele ao voltar de serviço, é que fiquei ciente do ocorrido. Fiquei sem ação por um bom tempo. Tencionei falar com os pais e irmãos do Silvio, mas eles em sua maioria estão no interior, tratando da saúde da mãe do Silvio. A casa onde eles moravam foi alugada para uma outra família, e hoje fui até lá. Pela ultima vez entrei naquela casa que tinha tantas histórias, e muita pouca coisa mudou no local, apesar dos anos que se passaram e dos novos inquilinos. Não quis detalhar muita coisa, e apesar do inquilino estar beem embriagado, me tratou bem. Talvez mais tarde eu vá na casa de outra irmã do Silvio, que não estava na hora em que fui até lá hoje cedo. Quero saber como eles estão, se precisam de algo, sei lá, tentar ser mais util do que tenho sido nos ultimos anos. Não que isso vá aplacar a tristeza que sinto agora. Parece que uma etapa de minha vida passou, e nem me dei conta.
Ainda me lembro do Silvio, numa das ultimas vezes em que falei com ele, dizendo que "não somos nós que transformamos o mundo, o mundo é que nos transforma". Mas ainda quero crer que vale a pena sonhar. Sem isso a vida pára. E se a vida parar, nossa esperança também se vai, e acabamos chegando ao fundo do poço, como aconteceu com ele. Sinceramente, prefiro me lembrar do Silvio nos seus bons momentos. Sei que nada que eu fizer vai mudar o que já aconteceu, mas o ocorrido serviu para reforçar em meu espírito que por pior que esteja a situação, eu não devo entregar os pontos nunca. Só queria ter podido passar melhor essa idéia ao Silvio.
Vá com Deus, meu amigo. Me desculpe se de alguma forma decepcionei você, mas saiba que apesar de estarmos afastados, eu sempre considerei você como um dos meus mais queridos amigos. Tenho fé de que um dia a gente vai voltar a se encontrar, pois você deixou sua marca em minha alma, e isso nem mesmo o tempo pode apagar.







Publicado por Morpheus® em 13:46 Comente aqui: .

Domingo, Agosto 07, 2005

Filmes orientais

Andei assistindo alguns filmes do outro lado do mundo, alguns deles muito bons, outro improváveis. É engraçado com no Brasil se é dada tanta relevancia aos filmes americanos, por piores que sejam, e filmes coreanos, chineses e japoneses, por exemplo, são tratados como "exóticos". Alguns deles estão acima da média.
Abaixo, um pequeno review de 3 deles, que são para os fãs do estilo mangá/anime:

Azumi (2003)


Bela e assassina


Dirigido por Ryuhei Kitamura (de Versus), Azumi é uma história baseada em um mangá de Koyama Yu, que praticamente atualiza os filmes de Samurai para os nossos tempos. Praticamente o que estamos acostumados a ver em animes/mangás tipo Rurouni Kenshin e Samurai Depper Kyo nos é mostrado em Azumi, o que é garantia de vilões caricatos, comicos e assustadores, além de muita ação e cenas de tirar o fôlego.

No Japão feudal, o poder imperial e a paz estão ameaçados pelos Senhores da Guerra. Gessai, um velho samurai, isola-se de todos juntamente com algumas crianças para treina-los desde cedo como assassinos profissionais. Um dia, ele encontra a pequena Azumi abandonada numa estrada ao lado do corpo da mãe morta. Ela é criada e treinada junto aos outros garotos. Um dia, o velho Gessai lhes diz que estão prontos para cumprir a missão para a qual foram treinados toda sua vida: matar os 3 Senhores da Guerra. Felizes por poderem finalmente deixar as montanhas e usarem todo o conhecimento adquirido em prol de um ideal, Azumi e seus companheiros nem imaginam os desafios que terão que enfrentar.
Contar mais do que isso tiraria 90% das surpresas que o filme reserva, como por exemplo sob quais condições os jovens guerreiros deixam as montanhas - o que faz Azumi começar a questionar a validade de sua missão. Azumi se torna a melhor guerreira entre eles, e logo seus inimigos se darão conta disso. Azumi é vivida pela atriz Aya Ueto, que consegue transmitir bem sua firmeza de caráter e determinação em cumprir sua missão. Em instantes, ela consegue mudar de uma garota adorável e que se importa com seus "irmãos" para uma assassina fria e extremamente habilidosa. Os vilões também surpreendem, tanto por seu carisma como por sua crueldade, em especial o assassino Bijomaru Mogami, vivido por Joe Ogdari, numa atuação surpreendente por sua caracterização andrógina, sádica e extremamente mortal. Um dos melhores vilões que tenho visto em filmes ultimamente. O final também lembra muito os clássicos de Kurosawa.

Não bastasse isso, o Japão da época é muito bem representado no filme. A forma que as classes sociais se relacionam entre si, o meio em que viviam, o grande respeito de todos pela classe samurai, tudo isso é mostrado no filme. Ninjas e Samurais se enfrentam em batalhas incrivelmente bem coreografadas, e onde efeitos especiais são empregados para tornar a coisa toda ainda mais espetacular visualmente. É um filme bem Rock'n'Roll, por assim dizer. Tem seus momentos emocionantes, como quando os aliados caem diante do poder dos inimigos, e também momentos épicos, como a batalha de Azumi, sozinha, contra 200 inimigos. E ela ainda tem fôlego para mais.

Azumi 2 - Death or Love (2005)


Ela está de volta

Continuando exatamente de onde parou o primeiro filme, a assassina adolescente Azumi e companhia enfrentaram dois dos 3 Senhores da Guerra no primeiro filme. Agora resta enfrentar o terceiro e mais perigoso deles, Masayuki Sanada (Mikijiro Hira), que já fica preparado ao saber do assassinato dos outros dois. Um batalhão de ninjas com trajes protegidos contra as armas dos assassinos vão ser os menores problemas que Azumi e seus amigos irão encarar. Azumi dessa vez terá que lidar com traições, aliados inesperados e os dois poderosos Guarda-costas de Sanada - além de sua esposa guerreira (Reiko Takajima).

A história dessa vez ficou um pouco longa demais, o que não tira o mérito do filme no aspecto geral. Aya Ueto continua atuando tão bem quanto na primeira parte da saga, e alguns detalhes da missão de Azumi ficam mais claros aqui. O misterioso ninja Hanzo novamente dá as caras, e dessa vez acompanhado pela jovem ninja Kozue, vivida por Kuriyama Chiaki - mais conhecida pela sua participação no primeiro Battle Royalle, de Takeshi Kitano, e por ter enfrentado Uma Thurman no papel de Go Go Yubari, em Kill Bill Volume 1, de Quentin Tarantino.

Entretanto, a mudança de diretor (Shusuke Kaneko, que dirigiu Godzilla em 2001) é facilmente notada pela sua clara "falta de mão". Explico: no primeiro filme, os efeitos digitais eram usados para completar as cenas de ação, tornando-as mais visualmente empolgantes. Em Azumi 2, eles sao usados com tanto exagero e desleixo, que tornam as lutas tão verossímeis quanto episódios de Jaspion e Changeman. Um dos inimigos por exemplo, além de se trajar como um macaco - ou aranha, sei lá - enfrenta Azumi numa floresta, em uma sequência que juro que já devo te visto em um episodio de Jiraya. O efeito acaba sendo tão fake quanto em Elektra, por melhores que sejam as lutas. Por esse motivo, o desempenho do filme fica bem abaixo do primeiro, apesar de Aya Ueto segurar as pontas do início ao fim - se bem que Kuriyama Chiaki rouba a cena cada vez que aparece, chegando a quase surpreender. O filme também tem sua dose de drama, não tão marcante quanto no primeiro filme, mas o suficiente para manter nossa atenção até o inevitável final.
Apesar de não manter o mesmo pique do primeiro filme, Azumi 2 - Death or Love tem sua razão de ser e merece ser assistido.

Ultraman - The Movie (2004)


Ultraman?!?!?!?

Além das minhas mais otimistas espectativas. Só assim consigo definir Ultraman The Next, filme dirigido por Kazuya Konaka, lançado no Japão ano passado, e recentemente em DVD nos Estados Unidos. Um filme com um enfoque mais adulto, com ares de ficção científica, mas com a velha pancadaria e destruição de qualquer série de super-heróis japoneseses que se preze.
Ai vem alguém e diz: "Pow, Ultraman? Fala sério!". Olha, até eu pensaria isso, e não estaria escrevendo essas linhas se o filme nao tivesse me agradado. Não, por mais "adulta" que seja a história, não é pra leva-lo 100% a sério, mas sim, sentar na poltrona, pegar sua pipoca, e se deixar levar pela película.

O piloto de jatos militares Shunichi Maki (Tetsuya Bessho) é envolvido num estranho acidente envolvendo um OVNI, e milagrosamente sobrevive. Ele tem um filho de 5 anos, Tsugumu, que o adora, considerando-o um herói e sonha em um dia voar com ele, mas é desenganado pelos médicos e tem somente mais um ano de vida. Entrementes, uma criatura meio réptil escapa de um laboratório militar, e uma cientista acredita que Maki tem alguma relação com o monstro. Capturado pelos militares, Maki descobre ser hospedeiro de uma entidade alienígena, que veio para lutar contra a estranha criatura réptil. Maki então fica dividido entre ficar com seu filho no leito do hospital ou lutar contra a criatura na forma do poderoso Ultraman.

Nerdisses à parte, os produtores desse filme estão de parabéns por fazerem um filme interessante principalmente para o público mais adulto. As crianças vao se divertir mais com as cenas de ação, que são estonteantes, principalmente a sequência final, digna de Top Gun, a título de comparação. A aparência do Ultraman dessa vez é bem estranha, quase primitiva, num primeiro momento. Todo mundo sabe o que vai acontecer cada vez que o Ultraman aparece, por isso o negócio é relaxar e curtir as lutas. Os golpes clássicos estão todos no filme, e a cena final é bem emocionante.
Um belo filme pra se assistir com a família no final de semana, seja pra se divertir, ou mesmo para recordar das tardes sentado na frente da televisão vendo o seriado do seu herói japonês favorito.

PS.: Acho que é a primeira vez que uma batalha do Ultraman é transmitida pela televisão...hehehe
Publicado por Morpheus® em 22:10 Comente aqui: .

Parlamentares prosseguem busca de documentos sobre ''mensalão''

Toda essa história de "mensalão" já está começando a me encher. E, ainda por cima, está fazendo valer aquela máxima que diz "quanto mais mexe, mais fede". A cada dia, mais falcatruas são descobertas, e o estranho é que as pessoas nem estão se impressionando mais, talvez por já imaginarmos que a coisa toda funciona mesmo dessa forma, ou seja, pra se conseguir apoio, molhar a mão de alguém é pratica comum.
Na revista Isto É da semana retrasada, saiu uma reportagem em que era mostrada a desilusão dos brasileiros com o atual cenário político do país. Eu, particularmente, não tenho lido muito sobre a crise.
Odeio passar raiva.
Publicado por Morpheus® em 22:02 Comente aqui: .